
Desdenhosa, ela sorri sem vergonha, se afogando em seus livros e teorização sobre tuas tramas.
Embaraçada, ela fala consigo mesma, as vezes de intensa discussão as mais doces delicadezas.
Escandalosa, se nomeia rainha da simpatia, pois desde o meio dia seu riso já é constante.
Lunática, ela dança para a lua, pede regalias as estrelas que piscam com escárnio.
Raramente, se encontra indecente, pois mesmo se estiver nua, mantém a mais astuta decência.
Livre, ela esbraveja, grita, acolhe se incendeia, e permite obter os mais variados graus de prazer. E encontrar os homens certos que estão dispostos a lhe obedecer.
Puta, ela fica nua, não se permite ser domada, e por mais que ame loucuras, nunca encontra boas aventuras.
E então finalmente, ela some de repente, feito nuvem que embaça o sol, feito luz quando a noite vem, e fica sozinha contemplando…
As estrelas que a guiam, o Deus que lhe acolhe e a escuridão que gentilmente abdica lhe uma fração e compartilha para o céu particular dentro de si mesma.
Feita sob o sol, forjada do fogo da terra, olhos castanhos com cristais de gelo, congelados para a eternidade, não possui delicadeza mas quando assume que ama ela é devota, feroz e livre, em solo ou em dupla, sinto se isso lhe apavora…
Mas na selvageria da vida, como ato de rebeldia se fez de flor se adornando de espinhos e rosnou feito um lobo para a lua que cresceu, e para sempre livre, vive, mas não feliz para sempre, pois isso nela já morreu.
