Madalena & Bartholomeu

Uma história sobre pombos

Madalena me deixou! Nao dissera outrora que me amava? Mas que pomba diaba! Que me parte a cada partida. Mas ah…Suas idas e vindas, nem mesmo sei em que olhar me tornei seu, somente sei que do nada me torno Porto, imóvel, destinado a permanência da impermanência. Vivendo de esperas e como tal de decepções.

Estou farto! Me cansa, desta vez nenhuma doce mentira muda meu juízo! Quando ela chega, e parte meu juízo em questão de um olhar de tempo. Como doi olha-lá, em lentidão batendo os cílios e me pego imaginado o nome de nossos filhos. Como doi, ama-la, sinto como um condenado amando o instrumento de seu doloroso agonizante fim. Ela tão serena, ninguém  aprisiona sequer uma pena de Madalena, logo ela que me tem, da alma as pontas das penas.

Tao comum é Madalena para quem olha sem ver, quem olha sem ser de um ser tão extraordinário como ela é sem nem mesmo saber… Para quem sente, o comum se torna intenso, e de imenso caos sentido. O coração se perde, até de repente invasão de borboletas no estômago. Para quem sente, mente para não sentir, pois agoniza ver a tempestade no peito, que aparenta explodir em um pequeno ponto do peito, onde tudo é infinito, sufocante e vibrante, um universo no vasto equivalente a um grão de areia, num recipiente tao pequeno em comparação ao corpo humano.

Tão forte é isso, tudo num piscar de olhos de Madalena, como não nota o que transborda em meu coração quando ela se apresenta? Consome todo o ar ao redor, cada vez mais, é se ela chega perto o respirar se torna difícil como cálculo a um peixe. Me deixe. Me deixe livre. Doi amar, mas quando ela se vai, me amarga, é se torna algo além de dor, se torna a perda do ar, sem notar, da Luz, sem se importar e do sentir mesmo a sensação do vazio deixado ser aparente de estar eternamente esmagado.

Nada faz sentido, tudo é um saco, tudo me lembra ela como uma pedra no sapato, mas ao invés de pedras, pisar em tudo que mais ama, sentindo perder mais e mais e doer de igual forma e de nada adianta retirar o sapato. Tão miserável me sinto, Madalena me deixou, que devo estar poluindo o mundo com tanta podridão em carne viva no lugar do coração.

Sorte que o mundo é vasto em limites, tolo de tão cheio e ridiculo em quantidade de sensacoes que nos oferece em balança a isso cheio de dor e cacos de corações perdidos em decomposição, no meio das ruas, das músicas solitárias e vazias.

Para Madalena, desejo o pior oferecido nesse mundo ao cacos um amor não correspondido, então sentiria por baixo  de minha apenas, sentiria meu coração de igual dor ao seu. Saberia que ainda me vejo sendo Porto e seu domado e reservado em seu nome. Desde então voo sozinho, a procura de ninguém, mergulho no ar, como o pior dos desesperados, sob casas, ruas e cacos e principalmente voando na direção oposta donde me despedi sem escolha de meu coração, que ainda Madalena persegue.

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